O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran da Silva Gallo, adotou uma postura firme e técnica ao contestar a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou a sindicância aberta pela autarquia para apurar o atendimento médico prestado ao ex-presidente Jair Bolsonaro enquanto estava na Superintendência da Polícia Federal.
Em nota enviada ao STF, Gallo explicou que a sindicância foi instaurada com base em denúncias formais recebidas pelo CFM e tinha por objetivo verificar, de forma imparcial e dentro dos procedimentos legais, a assistência médica oferecida ao paciente. O presidente do Conselho ressaltou que a medida não tinha a intenção de interferir na execução penal ou na atuação da Polícia Federal, mas de garantir que eventuais irregularidades fossem devidamente apuradas.
O posicionamento público de Gallo destaca a importância da autonomia e da responsabilidade técnica da medicina, reforçando que a sindicância foi uma resposta a preocupações legítimas sobre um caso que ganhou grande repercussão na sociedade. Ele enfatizou que o CFM atua dentro de sua competência legal e ética, sem fazer juízo antecipado sobre os fatos, e que a abertura de procedimentos desta natureza é um instrumento institucional para assegurar a regularidade da atuação dos serviços de saúde.
A articulação clara e fundamentada do presidente do CFM demonstra o compromisso da entidade com a transparência, o escrutínio técnico e a defesa de princípios éticos na medicina, especialmente em situações de alto interesse público. Ao contestar a anulação da sindicância, Gallo reforçou a necessidade de que as instituições médicas possam exercer suas funções de fiscalização e verificação quando houver denúncias pertinentes, sem interferência externa indevida.