A GloboNews vive um momento delicado. A emissora ajudou a amplificar a polêmica envolvendo Flávio Bolsonaro (PL) e Nossa Senhora Aparecida, reaquecida nas redes a partir de um projeto de lei arquivado há quase 20 anos.
O tema ganhou força como possível munição contra Lula (PT) no debate presidencial de quinta-feira (1º). Mas o debate nunca ocorreu: decisões do TSE e do STF alteraram as regras horas antes da transmissão, e a Globo cancelou o confronto, alegando "insegurança jurídica".
Sem o debate, o espaço para explorar o tema simplesmente não existiu. Lula, por sua vez, escolheu o Flow Podcast, onde falou por quase duas horas a um público que ultrapassou 11 milhões de visualizações. No dia seguinte, em ato no Rio de Janeiro, provocou a emissora ao dizer que sua entrevista "teve mais audiência do que a novela", principal produto comercial da Globo.
O resultado é um jornalismo "pisado": a GloboNews perdeu o palco do debate, perdeu a disputa simbólica de audiência para um podcast e viu o próprio episódio de Nossa Senhora Aparecida, que ajudou a inflar, virar pano de fundo para Lula reforçar o discurso de que não é "manipulado pelos meios de comunicação". O roteiro pensado para pressionar o presidente acabou se voltando contra a casa que ajudou a construí-lo.