O empresário Léo Slezynger, da petroquímica Unigel, convidou Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), para integrar o conselho estratégico de uma ONG ambiental criada por ele. A proposta partiu de uma sugestão da lobista Roberta Luchsinger, que se apresentava como sócia de Lulinha e defendia que a participação dele poderia facilitar a captação de recursos para a entidade. Em mensagens reveladas pela imprensa, Roberta resumiu a estratégia como “toma lá, da cá”.
As conversas ocorreram em 2023, após o anúncio de um aporte de US$ 500 milhões dos Estados Unidos para o Fundo Amazônia. Roberta sugeriu que Slezynger oferecesse um cargo remunerado a Lulinha e argumentou que o presidente teria interesse em beneficiar uma entidade ligada ao filho. A ONG Brasil Climate Change (BRACC) chegou a prever Lulinha, Roberta, a ex-ministra Marina Silva e outras personalidades em sua estrutura de conselhos.
No mesmo período, a Unigel foi beneficiada por um contrato de processamento de gás natural com a Petrobras, posteriormente anulado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que considerou o acordo prejudicial à estatal. Em julho de 2023, Slezynger agradeceu a Lulinha por sua atuação junto ao presidente em favor da empresa. O possível tráfico de influência relacionado à Unigel é investigado em inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Flávio Dino.