A Polícia Federal do Governo Lula parece mesmo perdida. O diretor-geral Andrey Rodrigues anunciou que abriu uma investigação para apurar o fechamento de embaixadas dos Estados Unidos e outros países na sexta-feira (2). O detalhe desse caso que reforça a ideia de "instituição perdida", é o fato de já ser público e notório que o fechamento das embaixadas foram provocaras pela própria PF.
Afinal, a Polícia Federal cumpriu, na sexta, dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e no entorno do Distrito Federal para apurar um suposto plano contra a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. A operação nasceu de uma comunicação feita pela própria representação americana, que alertou a corporação sobre uma possível ameaça.
Dias depois, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, veio a público admitir o que a corporação já sinalizara em nota na própria sexta: "não foram verificados até o momento elementos que corroborassem os riscos inicialmente apontados, tampouco identificados quaisquer suspeitos de envolvimento com organizações criminosas".
O problema é que, entre a comunicação da embaixada e essa constatação, o estrago já estava feito. A Embaixada dos EUA suspendeu o atendimento presencial em todo o país, orientou funcionários a trabalhar de casa e recomendou que cidadãos americanos nem procurassem suas instalações. A Embaixada da Austrália seguiu o mesmo caminho, por "medida preventiva".
Tudo isso a dois dias de uma eleição presidencial, com direito a leituras políticas imediatas sobre uma possível tentativa de interferência no pleito, prontamente usadas por aliados do governo para acusar Washington de pressão indevida.
A sequência de fatos é reveladora. A PF recebeu o alerta, cumpriu mandados, apreendeu celulares e computadores de dois suspeitos identificados por comentários em redes sociais e, ato contínuo, emitiu nota informando que não havia elementos que confirmassem o risco. Ou seja, a própria corporação que investigou o caso foi também quem, com sua atuação em sigilo e sem comunicação clara à sociedade sobre o andamento da apuração, deixou no ar a dúvida que alimentou a decisão unilateral do governo americano de fechar suas portas.