A australiana Gold Mountain mira a eventual reativação de uma mina de tungstênio explorada durante a Segunda Guerra Mundial no Rio Grande do Norte. A notícia é da CNN Brasil.
A companhia anunciou nesta segunda-feira (5) que garantiu o direito exclusivo para avaliar e potencialmente adquirir a área da antiga mina Malhada do Angico, no Seridó potiguar. O empreendimento ocupa cerca de 857 hectares e fica próximo ao município de Parelhas.
Conhecido como um “mineral de guerra” por sua importância histórica para a indústria bélica, o tungstênio é usado na produção de ligas de alta resistência e aços especiais. A demanda pelo mineral cresceu fortemente durante grandes conflitos do século 20, incluindo a Segunda Guerra Mundial.
Os preços do tungstênio dispararam em 2026 em meio ao aperto da oferta e à corrida de países ocidentais para reduzir a dependência da China, que domina cerca de 80% da produção mundial do mineral. O movimento também está ligado a uma demanda crescente de setores como defesa, aeroespacial e semicondutores.
No caso de Malhada do Angico, a própria Gold Mountain afirma que a mineração ocorreu durante o conflito mundial, conduzida pela Mineração Fluminense. A operação extraía rochas com scheelita, principal mineral de minério de tungstênio encontrado na região, e realizava o processamento do material no próprio local.
A Gold Mountain ainda não comprou o projeto. A empresa fechou um acordo com a Emprogeo Mining Business EPP que lhe garante exclusividade por 12 meses para realizar uma análise técnica, jurídica e regulatória antes de decidir pela aquisição.
A australiana já desembolsou R$ 1 milhão pela exclusividade. Outros R$ 2 milhões estão previstos caso a operação avance, levando o valor total potencial a R$ 3 milhões.
O próximo pagamento, de R$ 1 milhão, será feito caso a ANM (Agência Nacional de Mineração) dê uma decisão favorável ao Relatório Final de Pesquisa apresentado em 2016 e a análise da Gold Mountain seja satisfatória.
Uma terceira parcela, também de R$ 1 milhão, está condicionada à aprovação pela agência da transferência dos direitos minerários para a companhia australiana. O processo está atualmente sob análise da ANM.
Novas pesquisas
Apesar de ainda avaliar a aquisição, a Gold Mountain já começou uma nova campanha de exploração na região.
A companhia iniciou perfurações com trado nos rejeitos deixados pela antiga operação para estimar os teores de tungstênio, determinar a espessura do material e coletar amostras para testes metalúrgicos. Os resultados ainda não foram divulgados.
Além disso, a mineradora prepara uma campanha de sondagem diamantada para investigar a continuidade da mineralização abaixo e ao redor das antigas áreas de lavra.
O programa deve testar cerca de 2 quilômetros de extensão da formação geológica que hospeda o tungstênio, alcançando profundidades de aproximadamente 120 metros. O início das perfurações depende da obtenção das autorizações ambientais e regulatórias necessárias.
“Estamos acelerando o programa de exploração e iniciaremos a perfuração assim que as licenças necessárias forem obtidas”, afirmou David Evans, diretor-executivo da Gold Mountain.
Segundo ele, a companhia também começou a analisar os rejeitos históricos para confirmar seus teores e obter material para testes metalúrgicos.