O nome do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), cresceu em ritmo exponencial, na visão de integrantes do próprio PT, para ocupar o cargo de ministro da Fazenda no governo Luiz Inácio Lula da Silva.
Menos de uma semana após a reeleição do presidente, o governador passou a ser o mais cotado para a pasta, contando com a sinalização positiva de setores da economia e do mercado financeiro.
Um avanço assim, claro, gera ciúmes na própria sigla. Mas além da disputa por espaço, petistas acionaram um alerta para Lula, baseado em ditado antigo: “Nunca contrate alguém que não pode demitir”.
Para assumir o ministério, Fonteles precisaria renunciar ao mandato no governo do Estado. Diferentemente de parlamentares, que se licenciam e retornam ao cargo, o ocupante do Executivo precisa abrir mão em definitivo da função.
Na leitura de correligionários, a escolha criaria um compromisso de manutenção do ministro por quatro anos. Uma indagação ocorre nos bastidores: o presidente aceitará “ficar casado com Fonteles até o final do quarto mandato?”.
Governistas lembram o constrangimento vivido por Lula com Márcio Macêdo na Secretaria Geral da Presidência. O ministro teve uma gestão criticada, que culminou no esvaziamento do ato do Dia do Trabalho. No entanto, por gratidão, Lula relutou em demiti-lo.
Macêdo atuou como tesoureiro da campanha de Lula em 2022. Para assumir essa função delicada e de extrema confiança a pedido de Lula, ele abriu mão de disputar um mandato de deputado federal por Sergipe.
Matemático, Fonteles é respeitado no mercado financeiro e recebeu elogio do ex-presidente do Insper Marcos Lisboa. Em entrevista ao Estadão, Lisboa observou o desafio fiscal do País e ponderou que, seja quem for o escolhido para a pasta, a política econômica será definida por Lula.
O Piauí deu a maior votação proporcional a Lula no País. O petista obteve 70,99% dos votos válidos no primeiro turno e 75,88% no segundo turno no Estado. Fonteles obteve a reeleição ao governo estadual com 71% dos votos no primeiro turno.
O próprio Fonteles negou conversas com Lula sobre cargos no governo federal. Em entrevista a Daniel Weterman e Álvaro Gribel, no Estadão, o governador afirmou que está pronto para tomar posse no Piauí e declarou que nunca um governador recém-eleito foi chamado para tal missão. Afirmou ainda que o presidente promoverá equilíbrio fiscal com corte de privilégios e desperdícios, conciliando a agenda social com a responsabilidade fiscal.
Estadão