Um manifesto que cobra mudanças na política cultural da nova gestão do governo Lula tem dividido opiniões dentro da classe artística e mobilizado pedidos de troca de comando do ministério, hoje chefiado por Margareth Menezes. O texto conta, até esta sexta-feira (6), com mais de mil assinaturas de produtores culturais, artistas do cinema, teatro, dança e artes visuais, além de entidades. O documento também reforça a demanda para que a pasta desenvolva políticas culturais para além dos editais de apoio.
A notícia é do R7. A peça deverá ser entregue ao presidente Lula como manifestação em defesa de mudanças nas políticas para a área e de investimentos na economia criativa. O documento também apresenta demandas relacionadas ao fortalecimento do mercado cultural e à regulamentação das plataformas de streaming. Entre os pontos levantados, os representantes destacam que o Brasil perdeu cerca de 6,7 milhões de leitores em quatro anos e que os filmes brasileiros representam menos de 10% da bilheteria nacional.
Signatários do texto relataram ao R7 que o grupo apoiou a eleição de Lula, mas que isso não afasta a necessidade de um projeto que estruture a cultura nacional. “É preciso ouvir a crítica, ter humildade para reconhecer erros e não achar que a eleição foi um cheque em branco e uma espécie de renovação automática de tudo o que foi feito. O recado foi muito claro: o presidente Lula quase perdeu a eleição e só venceu quando a sociedade foi para a rua por medo de algo pior, mas não foi uma carta em branco, não foi desconsiderando limitações do terceiro mandato”, conta um dos apoiadores do manifesto.
Sobre a atual gestão do ministério, as avaliações são de que o comando da pasta poderia ter tido um mobilização mais efetiva em negociações de projetos junto ao Congresso, além de priorizar gastos com a reestruturação de órgãos como a Funarte, a Ancine e o Iphan, em vez do uso em editais com recursos destinados diretamente a estados e municípios. “Distribui recursos públicos, mas não enfrenta os problemas efetivos de regulação, de soberania, de enfrentamento de big techs, que são os temas candentes”.
Apoiadores do texto também frisam que a manifestação não teve a intenção de criticar Margareth Menezes, mas de marcar posição para novos rumos para o ministério. A possibilidade de troca mobilizou outros artistas, que saíram em defesa da ministra e destacaram desafios enfrentados para reconstrução de políticas culturais que sofreram impacto no governo Bolsonaro. “Ser ministra da Cultura depois de um governo de desmanche das políticas foi e está sendo um desafio gigantesco”, afirmou a cantora Daniela Mercury. Caetano Veloso e Maria Bethânia também defenderam que a ministra siga no cargo.