A vitória de Lula nas eleições deve ampliar o isolamento dos ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques no Supremo Tribunal Federal (STF). Indicados por Jair Bolsonaro, os dois são vistos como contraponto ao grupo de magistrados que mantém maior interlocução com o governo, formado por Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Com a reeleição, Lula poderá indicar mais quatro ministros até 2030, ampliando sua influência na Corte.
Segundo um levantamento do O Globo, com uso de inteligência artificial na análise de mais de sete mil processos, aponta que Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux formam o grupo mais coeso e que fica isolado com maior frequência nas votações. A divisão também apareceu em decisões relacionadas ao caso Master e durante a campanha eleitoral, quando ministros do STF interferiram em decisões da Justiça Eleitoral. Mendonça tem atuado como contraponto a Moraes, enquanto Nunes Marques, atual presidente do TSE, adota um perfil considerado mais conciliador.
A disputa pela próxima vaga no Supremo também pode influenciar essa correlação de forças. O advogado-geral da União, Jorge Messias, é apontado como um nome mais favorável a Mendonça, enquanto o ex-senador Rodrigo Pacheco, ministro do Tribunal de Contas da União, é visto como próximo ao grupo de Moraes. A escolha de Pacheco seria considerada um revés para Mendonça, segundo integrantes do STF ouvidos pelo jornal.
Com informações do O Globo