A crise de influência do Comando Vermelho (CV) no interior do Ceará, que ganhou repercussão nacional após a facção impor restrições à venda de água mineral em Banabuiú, teria atingido um raio muito mais amplo do que inicialmente divulgado.
Segundo discutido na edição desta semana do Jornal das 6, a proibição de comercializar água sem o pagamento de uma taxa — espécie de "pedágio" cobrado pela facção — não se restringiu ao pequeno município do sertão cearense, tendo se repetido em vários outros municípios do estado e também em bairros da capital, Fortaleza.
De acordo com o que foi debatido no programa, comerciantes estariam sendo impedidos de vender água mineral sem repassar um percentual do faturamento à organização criminosa, que atua a partir do Rio de Janeiro. A informação amplia a dimensão de um problema que já havia mobilizado as forças de segurança do Ceará e a Companhia de Água e Esgoto do Estado (Cagece) a montar esquemas de distribuição sob escolta policial em Banabuiú, município onde moradores enfrentaram filas e desabastecimento após o anúncio de um "edital" da facção regulando a venda do produto.
A reportagem não apresentou, até o momento, lista oficial dos bairros de Fortaleza ou dos demais municípios cearenses supostamente afetados pela mesma prática, e a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) não se manifestou publicamente sobre a extensão do esquema fora de Banabuiú.