Daniel Vorcaro poderá ser protagonista de dois depoimentos na semana que vem. Ambos no Senado. Segunda-feira, na CPMI do INSS e na terça na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
Na CPMI, Vorcaro foi convocado para falar sobre contratos de empréstimos consignados do Master que teriam sido suspensos pelo INSS por falta de comprovação da anuência dos aposentados.
Já na CAE, o rol de interesse recai sobre a liquidação extrajudicial decretada pelo BC.
A expectativa é grande. Mas o que se pode esperar dos depoimentos nesta que será a primeira aparição pública do ex-banqueiro, desde sua prisão, em novembro passado?
Integrantes da CPMI garantem que ninguém os proibirá de fazer perguntas sobre qualquer assunto relacionado ao Caso Master — incluindo as participações de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes no processo, as festas de arromba patrocinadas pelo animado Vorcaro com um elenco de atrações internacionais contratadas no Leste Europeu para animar convidados muito especiais. Diz um deputado:
— Vou perguntar tudo.
Provavelmente, no entanto, questões com potencial explosivo, como o que diz respeito a relações com ministros do STF ou farras, não serão respondidas. Ficarão no ar pairando como um dos muitos fantasmas que circulam em torno do Master.
Em relação ao depoimento na CAE, presidida por Renan Calheiros, suspeita-se para uma fala mais direcionada. Possivelmente, com críticas ao BC.
Na noite de ontem, André Mendonça decidiu que Vorcaro não é obrigado a depor na CPI do INSS. Seus advogados ainda estão decidindo o que fazer. O mais provável é que ele não se exponha a riscos. Mas há chance de o ex-banqueiro ir e deixar alguns recados no ar.
Lauro Jardim - O Globo