São Miguel do Gostoso virou Versailles potiguar por três dias. Casamento chiquérrimo. Helicóptero pousando, vinho caro, dondocas de vestido longo e empresários fingindo que não estavam olhando o preço do buffet. Era a nata da sociedade potiguar celebrando o amor… e também a fofoca.
Entre os convidados apareceu um sujeito de Brasília. Todo tatuado, estilo alternativo, convidado de um convidado, aquele tipo que ninguém sabe direito quem chamou, mas já está dentro da festa bebendo como se fosse padrinho.
No segundo dia de farra, já com o álcool circulando mais que água de coco, o cidadão chegou para um empresário de Natal, forte, bonito, desses que parecem propaganda de academia, aluno da Hilife e perguntou com toda naturalidade:
— Foi você que me levou ontem para o quarto?
O empresário estranhou e disse que não. Aí veio a bomba.
— Perguntei porque acordei com a bunda toda dolorida.
O clima congelou mais rápido que champanhe em balde de gelo. O empresário ficou vermelho de raiva. Disse que não tinha nada a ver com aquilo e que um hétero raiz não iria jamais deflorar um bumbum guloso.
Quase virou barraco de casamento.
O rapaz de Brasília passou os três dias causando. Deu em cima de homens, mulheres, casais e até de quem estava só passando perto do bar. Topava qualquer coisa que respirasse.
Teve gente pedindo para expulsar o sujeito da festa. Mas ele resistiu bravamente até o último dia.
O único problema é que continuou com a mesma reclamação:
— A bunda ainda está dolorida.
Mistério digno de investigação científica. Ou de silêncio absoluto. Porque em casamento de rico tem duas coisas que nunca aparecem: a conta da festa… e o responsável pela bunda dolorida.