A Unidade de Cuidados Intermediários do Método Canguru (Ucinca) do Hospital Santa Catarina, em Natal, está com suas obras de reforma paralisadas por falta de pagamento da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) à empresa contratada.
O setor, que atende recém-nascidos prematuros e de baixo peso em regime de coabitação com as mães, foi fechado após o início das obras em outubro, quando poeira e barulho tornaram o ambiente inviável para os bebês. Desde então, a unidade permanece fora de operação.
A previsão inicial era de que a reforma estivesse concluída até 7 de janeiro. No entanto, em meados de dezembro do ano passado, a empresa executora comunicou a suspensão dos serviços alegando inadimplência por parte da Sesap.
A paralisação expõe uma falha direta de gestão contratual do Estado, que comprometeu o cronograma de uma obra ligada diretamente ao cuidado de recém-nascidos em situação de vulnerabilidade. As consequências são imediatas e mensuráveis.
Com a Ucinca fechada, recém-nascidos que já poderiam ocupar os 12 leitos do setor seguem internados na UTI Neonatal por períodos superiores ao necessário. Isso eleva o risco de infecções hospitalares e restringe o contato familiar, que no Método Canguru ocorre em regime de 24 horas — elemento central para o desenvolvimento dos bebês e para o vínculo com as mães.
No início deste mês, a direção do hospital informou que a empresa havia recebido parte dos valores devidos e aguardava condições para retomar os trabalhos. Até o fechamento desta reportagem, no entanto, nenhuma atividade havia sido reiniciada no canteiro. A ausência de um prazo concreto para a retomada mantém a unidade indefinidamente paralisada, sem qualquer garantia para as famílias afetadas.
O caso da Ucinca não é isolado dentro do próprio hospital. Outras duas obras encontram-se igualmente paralisadas: uma de ampliação de setores e outra destinada ao banco de leite. O padrão sugere um problema estrutural no fluxo de pagamentos da Sesap a prestadores de serviço, com impacto direto na infraestrutura de saúde pública do estado. Nenhuma das obras tem previsão oficial de conclusão.