Acaba nesta sexta-feira (20) no Brasil a patente da semaglutida, uma das drogas dentro das canetas emagrecedoras, e começa um novo tempo de esperança concreta, para milhões de pessoas, de que os preços diminuam. E, com isso, que mais gente tenha acesso a remédios que promovem uma revolução no controle da obesidade.
Este ano, espera-se uma diminuição do preço entre 30% e 40%. Mas as novas drogas não serão genéricos e não necessariamente virão na forma de caneta. Tampouco há data para que as primeiras sejam lançadas. Mas ninguém duvida que uma nova revolução, esta na ampliação do acesso, está por vir no país.
No Brasil, o fim da exclusividade da semaglutida pela indústria farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy (ambos com a mesma substância, em diferentes concentrações), permitirá que outras empresas desenvolvam remédios.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recebeu 17 pedidos para a produção de semaglutida. Oito deles estão em análise (sete de medicamentos sintéticos e um de droga biológica, como são as canetas de Ozempic e Wegovy). Nove outros aguardam o início da análise.
A expectativa é que haja três autorizações da Anvisa por semestre. Os pedidos em fase mais avançada são dos laboratórios Ávita Care e EMS. Analistas do mercado consideram possível lançamentos em julho.
A semaglutida é um medicamento análogo do receptor GLP-1. Ela imita e potencializa o efeito de um hormônio natural produzido pelo intestino. Com isso, tira a fome, retarda o esvaziamento do estômago e auxilia na regulação da glicose.
A própria Novo Nordisk e sua concorrente a americana Eli Lilly, fabricante do Mounjaro (tirzepatida), cuja patente não caiu, têm reduzido seus preços no que os especialistas veem como uma resposta à movimentação do mercado.
A Novo reduziu seus preços em até 29,6%, em algumas dosagens. Já o Mounjaro, cujo preço pode beirar os R$ 3 mil, nas doses mais elevadas, tem descontos em programas do laboratório.
O Ministério da Saúde tem a meta de estimular a produção nacional dessa nova classe de remédios para facilitar a queda dos preços e, assim, o acesso. No entanto, nenhum especialista considera viável o amplo uso via SUS nem qualquer outro sistema de saúde pública do mundo.
O mais notável e generalizado efeito adverso das canetas é o custo muito alto — passa facilmente de R$ 1 mil mensais. O preço inviabiliza ou não permite a continuidade do uso para a maioria das pessoas que precisam do medicamento. Médicos dizem que muita gente que para de usar o faz porque não consegue mais pagar.
O endocrinologista Roberto Zagury, do Departamento de Diabetes, Exercício e Esportes da Sociedade Brasileira de Diabetes, afirma que, embora os preços não devam cair ao ponto de permitir o amplo acesso, deve haver um aumento significativo de pessoas beneficiadas com o fim da patente.
— Deve melhorar o cenário de combate da obesidade no Brasil, ao menos na classe média — afirma.
O Globo