O Mercado Livre começa hoje sua operação-piloto de venda de medicamentos isentos de prescrição em bairros de São Paulo. Por enquanto é teste, laboratório para entender o comportamento do consumidor e afinar a logística.
Mas a ambição é clara: transformar o nicho num marketplace de farmácias com atuação em todo o Brasil. Quem acha que é pouca coisa não entendeu o tamanho do que está acontecendo.
O comércio on-line vem engolindo setor por setor, um de cada vez. Primeiro foi o varejo de roupas e eletrônicos. Depois alimentação, com as dark kitchens e os supermercados digitais. Depois veio o mercado financeiro, com os bancos digitais tirando espaço dos bancões. Agora chegou a vez das farmácias.
O consumidor brasileiro já se acostumou a resolver tudo pelo celular, com entrega em casa, preço menor e sem fila. O remédio é o próximo passo natural.
Para o comércio de rua, o recado é duro. Farmácia de bairro que não se adaptar ao mundo digital vai sentir. Não hoje, não amanhã, mas vai sentir.
O Mercado Livre tem estrutura, capilaridade e capital para escalar isso rápido quando o piloto funcionar. E vai funcionar. O brasileiro já compra tudo on-line. Comprar Dipirona e Buscopan também vai comprar. O futuro chegou antes da hora para quem ainda acha que basta abrir a loja às oito da manhã.
Isso é muito ruim para o comércio local.