Na Alemanha, onde participou de um evento na Universidade de Frankfurt, André Mendonça ficou bastante incomodado com os vazamentos dos últimos dias do material sigiloso apreendido pela PF no celular de Daniel Vorcaro.
A decisão que levou à prisão de Daniel Vorcaro assinada na terça-feira passada deixou de fora, deliberadamente, elementos do relatório da investigação que, na avaliação da equipe do ministro do STF, teriam o potencial de atrapalhar a condução do processo futuramente.
O que "dava pra colocar" nesse momento foi incluído na fundamentação da autorização da prisão preventiva do ex-banqueiro e de três associados, que o ministro tornou pública logo após a operação.
Parte do material comprometedor foi compartilhado pela PF com a CPMI do INSS, com a PGR e com as defesas dos acusados.
Ontem à noite, Mendonça determinou a abertura de uma inquérito policial para investigar a divulgação de informações obtidas a partir da quebra de sigilo de Vorcaro que estão em poder da CPMI, após pedido da defesa do banqueiro. O ministro destacou que o sigilo da fonte, garantia constitucional ao trabalho dos jornalistas, deve ser preservada na apuração.
Lauro Jardim - O Globo