Bastaram dois meses para o orçamento do Rio Grande do Norte mostrar sua fragilidade real. A frustração de receita de mais de R$ 300 milhões no primeiro bimestre (historicamente o de maior arrecadação) confirma o que fontes da própria Secretaria da Fazenda admitiram reservadamente: os números da peça orçamentária foram maquiados para amenizar o tamanho do rombo.
O estado aumentou a alíquota de ICMS em 2024 justamente para reforçar a arrecadação. Dois anos depois, o resultado é o oposto: as pessoas consomem menos porque pagam mais imposto, as empresas fecham, a informalidade cresce e a receita encolhe. É a curva de Laffer na prática — aumentar alíquota não significa aumentar arrecadação.
O governo estadual agora corta despesas, mas não toca no essencial: a máquina pública inchada, os cargos comissionados, os contratos bilionários com fornecedores apadrinhados. Corta-se na ponta — no cidadão que precisa de saúde, segurança e educação. É sempre assim: o Estado nunca emagrece, apenas empurra o sacrifício para quem não tem lobby.