A proposta de alteração da jornada de trabalho no Brasil, visando a transição da escala 6x1 para 5x2, tem gerado debates sobre os impactos econômicos estruturais. Análises recentes indicam que a medida pode elevar os custos operacionais e aumentar o desemprego, sendo encarada por críticos como uma promessa política de difícil sustentação prática.
O baixo índice de produtividade do trabalhador brasileiro é apontado como o principal entrave para a viabilidade de menos dias de trabalho. Em comparações internacionais, observa-se que operações que exigem apenas um funcionário no exterior demandam até cinco colaboradores no Brasil, devido à falta de polivalência e foco durante o expediente.
A deficiência na educação básica e média também é citada como causa da formação de profissionais que não atendem às necessidades do mercado. Esse cenário tem refletido no PIB per capita nacional, que estagnou nos últimos 20 anos, enquanto nações como a Índia conseguiram dobrar sua renda por pessoa no mesmo período.
Especialistas alertam que a redução da carga horária sem o aumento real da renda pode levar o trabalhador a buscar bicos no tempo livre, anulando o objetivo do lazer. Sem reformas que priorizem a eficiência e o ensino básico, a mudança na escala é vista como um risco à sustentabilidade das empresas e ao crescimento econômico.