O senador Flávio Bolsonaro (PL) usou as redes sociais neste sábado (25) para pedir calma aos seus apoiadores diante do racha que se aprofunda dentro do Partido Liberal e no campo bolsonarista. Em publicação no X, o pré-candidato à Presidência agradeceu a quem está "de corpo, alma e coração" ao seu lado, mas demonstrou preocupação com as cobranças e provocações que bolsonaristas vêm fazendo a outros bolsonaristas para exigir apoio explícito à sua candidatura. "Apoio não se impõe", afirmou.
O recado vem na esteira de uma pressão crescente liderada pelo próprio irmão, Carlos Bolsonaro, que anunciou dias antes que faria um "levantamento de prefeitos, vereadores, lideranças e filiados do PL" que não estejam divulgando a candidatura de Flávio. Segundo Carlos, os nomes seriam levados à executiva partidária para "corrigir" a postura. A medida gerou desconforto entre parlamentares e lideranças do partido, incluindo o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que vinha sendo publicamente cobrado por maior engajamento.
Flávio tentou equilibrar o tom entre firmeza e pacificação. Pediu que os apoiadores concentrem energia "nas mentiras criminosas da esquerda" e evitem cobrar adesão de "pessoas que também querem Bolsonaro na Presidência da República". "Cada um tem o seu tempo e a sua forma de ajudar. Todos são importantes e preciso de todos para tornar essa caminhada menos difícil", escreveu. O texto revela a estratégia de combinar o antipetismo radical com uma imagem de candidato da pacificação.
O racha no PL vai além de disputas pessoais. Envolve a definição de palanques estaduais, a relação com o Centrão e até a sombra da investigação do caso Master sobre alianças no Distrito Federal. Flávio sabe que a fragmentação interna é um dos maiores riscos à sua candidatura. A pesquisa Paraná Pesquisas, que o mostra competitivo contra Lula no Rio, dá fôlego ao senador, mas a unidade que ele pede ainda está longe de ser alcançada.