Os ministros do Supremo Tribunal Federal reconhecem, em consenso, que as críticas à Corte entraram definitivamente na pauta dos pré-candidatos da direita nas eleições de 2026. A divergência, porém, está na estratégia. Cinco ministros defendem enfrentamento público e incisivo contra os ataques, com respostas firmes e demonstração de consequências. Outros cinco avaliam que a melhor saída é a discrição, evitando holofotes e submergindo durante o período eleitoral.
O grupo do enfrentamento é liderado pelo ministro Gilmar Mendes e conta com o apoio de Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Dias Toffoli. Gilmar já fez discurso duro na Segunda Turma após a CPI do Crime Organizado propor o indiciamento de magistrados, entrou com representação na PGR contra o senador Alessandro Vieira por abuso de autoridade e pediu a inclusão do ex-governador Romeu Zema no inquérito das fake news. "Há uma indústria de difamação e de acusações caluniosas contra o Supremo. Vou enfrentá-la", declarou o decano.
Na ala da moderação, os ministros entendem que o excesso de exposição pode gerar o efeito contrário, alimentando o discurso de perseguição política e ampliando o engajamento dos adversários. Para esse grupo, a postura de Gilmar nas entrevistas desta semana, incluindo as declarações xenofóbicas contra o sotaque mineiro de Zema e a sugestão de "bonecos homossexuais", exemplifica o risco de a reação institucional se transformar em combustível eleitoral para a oposição.
O embate interno expõe um dilema institucional que deve se aprofundar à medida que a campanha avança. De um lado, o temor de que o silêncio seja interpretado como fraqueza. Do outro, a consciência de que cada resposta pública pode ser instrumentalizada por candidatos que transformaram o anti-STF em bandeira eleitoral. A Corte caminha dividida rumo a 2026, sem consenso sobre qual caminho preserva melhor sua autoridade.