Davi Alcolumbre abriu a semana com duas sinalizações simultâneas. Ao governo: a possível realização da sabatina de Jorge Messias ao STF. À oposição: a provável derrubada dos vetos ao projeto que reduz as penas dos condenados pelo 8 de janeiro. Não é contradição. É método.
O presidente do Senado tem um objetivo que transcende qualquer pauta: garantir apoio para ser reconduzido ao cargo em fevereiro de 2027. Para isso, precisa de votos do governo e da oposição. Cada concessão é calculada com precisão cirúrgica para acumular capital político dos dois lados.
A dosimetria é um tema explosivo. Reduzir as penas dos condenados do 8 de janeiro é algo que o governo não pode apoiar abertamente, mas que Alcolumbre pode facilitar sem assumir o custo político. Se os vetos forem derrubados, a oposição agradece a Alcolumbre. Se o STF reagir, o desgaste é do Congresso, não do presidente do Senado.
O Planalto aceita o jogo porque precisa de Messias no Supremo. A oposição aceita porque precisa da dosimetria. Alcolumbre aceita porque precisa de ambos. É a democracia brasileira funcionando como uma bolsa de valores onde o ativo mais negociado é o poder.