O governo Lula prepara o anúncio do Desenrola 2.0, que permitirá a trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) sacar até 20% do saldo do FGTS para quitar dívidas. A condição é que o valor cubra integralmente o débito. Bancos oferecerão descontos proporcionais à idade das dívidas, e os juros das novas operações serão limitados a 1,99% ao mês.
A medida é uma resposta direta ao dado do Datafolha que mostra 59% dos brasileiros sem conseguir pagar as contas. Politicamente, o timing é perfeito: o anúncio chega na semana em que pesquisas mostram Lula empatado no segundo turno. Economicamente, o cálculo é mais arriscado.
Economistas alertam para o "risco moral" do programa. A lógica é simples: se o governo sempre aparece para socorrer quem se endivida, o incentivo para não se endividar diminui. "Você pode incentivar as famílias a se endividarem novamente, à espera de um novo programa", afirmou a economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória.
O FGTS é, na prática, a última reserva do trabalhador. Usá-lo para pagar cartão de crédito é trocar uma proteção de longo prazo por um alívio imediato. Para o eleitor, funciona. Para o país, a conta pode chegar depois.