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Setor de combustíveis estima que pelo menos 941 postos estejam sob domínio de facções
economia

Medidas para baratear combustível são afobadas, afirma professor

As medidas anunciadas pelo governo federal para baratear os combustíveis podem ajudar a diminuir o impacto da crise do petróleo temporariamente, mas estão sendo implementadas de maneira afobada e sem planejamento adequado, segundo avaliação do professor Edmar de Almeida, do Instituto de Energia da PUC-Rio.

Em entrevista à CNN, o especialista explicou que as iniciativas não garantem o congelamento dos preços dos combustíveis, apenas tentam reduzir os custos da cadeia para minimizar aumentos que já vêm ocorrendo. "Essas medidas certamente podem ajudar a diminuir o impacto da crise do petróleo, mas não garante que o preço vai ficar congelado. Não é um congelamento de preços", destacou Almeida.

Falta de planejamento e inconsistências
O professor criticou a forma como as políticas estão sendo implementadas, apontando inconsistências nas abordagens. Segundo ele, o governo primeiro lançou uma política para o diesel, criando um imposto sobre a exportação de petróleo para financiá-la, e depois apresentou outra medida para gasolina e etanol utilizando o aumento da arrecadação como fonte de financiamento.

"Por que, então, na época, quando lançaram o programa do diesel, esse aumento da arrecadação não foi utilizado como fonte para financiamento dessa política, e sim teve que ser criado um imposto novo sobre as exportações?", questionou Almeida, apontando que isso demonstra falta de planejamento para uma política integrada de combustíveis.

O especialista também observou que a redução de impostos sobre o GNV (Gás Natural Veicular) ficou de fora das medidas, apesar de sua importância em mercados como o Rio de Janeiro, onde é amplamente utilizado por taxistas e frotistas. Para Almeida, é fundamental buscar políticas que mitiguem o aumento do preço do petróleo, mas isso precisa ser muito bem planejado para não criar distorções fiscais e no mercado de combustíveis.

Preocupação com o longo prazo
Almeida expressou preocupação sobre o prazo das medidas implementadas, já que todas têm data para terminar, enquanto a guerra que afeta os preços do petróleo não tem prazo definido. "A gente não sabe se a guerra vai acabar rápido, se vai demorar. E como é que fica depois, então?", questionou.

O professor também alertou que o governo pode estar agindo de forma precipitada ao intervir no mercado com o petróleo por volta de US$100, lembrando que entre 2010 e 2014 esse era o patamar normal, e que em valores atualizados, equivaleria a cerca de US$140. "Se a gente está entrando em pânico com um preço a US$100, eu acho que talvez você fique sem munição para intervir no mercado quando o preço estiver em uma situação ainda maior", advertiu.

CNN Brasil

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