Existe uma leitura política que circula com força em Brasília e que vai na contramão do discurso de crise: a rejeição de Messias pode ter sido, na verdade, uma válvula de escape calculada por Davi Alcolumbre.
O raciocínio é o seguinte: o Senado estava sob pressão de múltiplas frentes — oposição inflamada, base insatisfeita com a falta de diálogo do governo, ressentimento de senadores que se sentiam ignorados pelo Planalto. A aprovação forçada de Messias, com um placar apertado e sob clima de coerção, poderia gerar uma ruptura ainda mais profunda entre Legislativo e Executivo.
Ao não se empenhar ativamente pela aprovação — sem, oficialmente, trabalhar contra —, Alcolumbre teria canalizado a insatisfação generalizada para um resultado que, paradoxalmente, estabiliza sua posição. O presidente do Senado sai do episódio fortalecido perante seus pares, que enxergam nele alguém capaz de impor limites ao Planalto.
Além disso, ao permitir que a pressão fosse liberada na votação de Messias, Alcolumbre pode ter reduzido a temperatura política para as próximas votações — inclusive a da dosimetria, que acontece logo em seguida. Senadores que votaram contra Messias podem se sentir mais confortáveis para negociar com o governo em outras pautas, já que demonstraram independência.
É uma jogada de xadrez. Alcolumbre perdeu com Lula, mas pode ter ganhado o Senado.