Quase uma semana após o ex-banqueiro Daniel Vorcaro entregar uma proposta de acordo de delação premiada à Polícia Federal e à PGR (Procuradoria-Geral da República), o avanço das investigações coloca os possíveis benefícios da colaboração em risco, segundo especialistas.
A notícia é do R7. A expectativa era que o dono do Banco Master delatasse figuras importantes, como políticos e magistrados que tiveram algum tipo de envolvimento ilegal com ele, mas o que circula nos bastidores é que o documento não traz grandes novidades.
Ao blog Natália Martins, um dos investigadores da PF afirmou que o documento só culpa o terceiro escalão de comando e “está evidente que tenta proteger muita gente”.
Delação ameaçada
Além disso, há chances de a delação perder a força com o avanço das investigações. Na semana passada, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão na quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga o esquema financeiro que levou à liquidação do Master.
As apurações mostram, por exemplo, a relação entre o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e Vorcaro, que envolvia interesses privados e atividade parlamentar.
O advogado criminalista Alexandre Carvalho avalia que, se a homologação do acordo demorar a acontecer, há grandes chances de a delação enfraquecer. “Vem perdendo força porque as investigações já estão atingindo os objetivos”, diz.
Segundo ele, o ex-banqueiro precisa agregar nomes e provas, pois não existe delação premiada somente com conjecturas.
“A Polícia Federal já vem conseguindo provas das pessoas que Vorcaro possivelmente apontou, mas não comprovou ainda. Então, pode acabar, sim, o Judiciário e a Polícia Federal perdendo o interesse em fazer a homologação da delação premiada”, analisa Carvalho.
O advogado criminalista Rafael Vilhena concorda e explica que, enquanto o acordo não for assinado, é possível que ele não vá adiante, caso o que Vorcaro tenha a oferecer seja insuficiente.
“Considerando o papel dele de destaque, a gravidade das condutas, os bens jurídicos lesados, isso tudo é considerado no aceite ou não de um acordo. Ele tem que fornecer informações valiosas para que a polícia tenha interesse em fechar. Essa é a regra”, afirma Vilhena.