A divulgação do áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobra dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro caiu como uma bomba no campo da direita e reabriu, com urgência, uma discussão que já vinha crescendo nos bastidores: a pré-candidatura do "01" ao Planalto se sustenta?
Se a resposta for não, os nomes que circulam nos corredores de Brasília já são conhecidos. O senador Rogério Marinho (PL-RN), articulador central do projeto bolsonarista e com forte trânsito no Nordeste, é apontado como alternativa natural dentro do próprio PL. Romeu Zema (Novo-MG), que governa o segundo maior colégio eleitoral do país e já era cotado como vice, ganha força como cabeça de chapa.
Ronaldo Caiado (União-GO), que nunca escondeu a ambição presidencial e rompeu com os Bolsonaro em mais de uma ocasião, se posiciona como a opção de uma direita que quer se descolar do clã. Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura com forte apoio do agronegócio, atenderia à demanda histórica por uma mulher na chapa e traria consigo o peso político do Centro-Oeste.
Nos bastidores da imprensa, porém, um nome se destaca acima de todos os outros: Michelle Bolsonaro. Colunistas políticos e analistas apontam que a ex-primeira-dama é a única figura capaz de herdar integralmente o capital eleitoral de Jair Bolsonaro junto ao eleitorado evangélico e feminino conservador. Michelle, que chegou a ser cotada como vice de Tarcísio de Freitas e depois recuou da campanha de Flávio em fevereiro, mantém uma postura calculada de silêncio público enquanto seu nome cresce nas especulações. A leitura entre aliados é direta: se Flávio cair, Michelle é o plano A, não o plano B.
O fato é que o áudio envolvendo R$ 134 milhões do dono de um banco que foi liquidado dias depois da última cobrança feita por Flávio transforma o que era desgaste político em crise de viabilidade. A rejeição do senador já era de 60% nas pesquisas, e agora ele terá que explicar à base bolsonarista por que estava pedindo dinheiro a um banqueiro investigado por fraude. Para uma candidatura que já enfrentava resistência dentro do próprio campo, o timing não poderia ser pior.
A direita brasileira se encontra, mais uma vez, diante de um dilema que parece se repetir a cada ciclo: tem votos, tem palanque, tem base fiel, mas não consegue resolver a própria sucessão sem que um escândalo force a mão. A diferença é que agora o relógio corre. Faltam meses para o primeiro turno, e o campo conservador pode estar prestes a trocar de cavalo no meio da corrida. A pergunta é se terá tempo de selar o novo.