Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso pela Polícia Federal na noite de 17 de novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar num jato particular com destino a Malta. Para os investigadores, não havia dúvida: o banqueiro estava fugindo. A prisão aconteceu exatamente um dia após a última mensagem que Flávio Bolsonaro teria enviado a ele, na qual o senador escreveu "Irmão, estou e estarei contigo sempre" e pediu uma "luz" sobre os pagamentos do filme Dark Horse.
A coincidência de datas é o que torna o caso explosivo. Em 16 de novembro, Flávio cobrava dinheiro de Vorcaro. Em 17 de novembro, a Polícia Federal colocava algemas no banqueiro sob suspeita de fraude de R$ 12,2 bilhões contra o sistema financeiro. A Operação Compliance Zero investigava a emissão de títulos de crédito falsos pelo Master, incluindo a venda de carteiras de crédito inexistentes ao BRB, o banco público do Distrito Federal. A pergunta que fica é inevitável: Flávio sabia da situação real do banco quando mantinha essa relação tão próxima com seu controlador?
O áudio e as mensagens divulgados pelo Intercept Brasil revelam que a relação entre o senador e o banqueiro não era protocolar. Flávio chamava Vorcaro de "irmão", dizia estar "sem graça" por cobrar, mas insistia nos pagamentos milionários para a produção do filme biográfico de seu pai. Segundo a reportagem, o financiamento total negociado era de cerca de R$ 134 milhões. A intimidade entre um pré-candidato à Presidência e o controlador de um banco que ruiu sob acusações de fraude bilionária coloca em xeque não apenas a candidatura de Flávio, mas a credibilidade de todo o projeto político que ele representa.