A ala do centrão que caminhava para uma coalizão com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acionou o freio de emergência. Após a divulgação dos áudios em que o senador pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre o pai, lideranças de União Brasil, PP e Republicanos decidiram postergar ao máximo qualquer decisão sobre apoio à candidatura.
É consenso entre os partidos que a revelação causou desgaste significativo. Há ceticismo, porém, sobre o tamanho do impacto nas intenções de voto. A estratégia agora é dupla: esperar as próximas pesquisas eleitorais e monitorar se novas revelações virão à tona a partir da delação premiada de Vorcaro.
Nos bastidores, a crise reacendeu o que aliados chamam de "viuvez de Tarcísio". Setores do centrão lamentam que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tenha perdido o prazo de desincompatibilização em abril. Se Flávio tivesse revelado a fragilidade aos aliados antes, poderia ter havido um movimento para trazê-lo à disputa presidencial.
O fato de Flávio nunca ter mencionado as negociações com Vorcaro nem aos interlocutores mais próximos causou perplexidade na base. Pré-candidatos como Ronaldo Caiado (PSD) cobraram "total transparência". Renan Santos (Missão) foi mais direto: "Flávio Bolsonaro acabou."
A pré-campanha de 2026 entra em terreno instável. O centrão observa, calcula e espera — como sempre.