O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manifestou a intenção de fiscalizar e combater o abuso de poder religioso nas próximas eleições, focando nas lideranças e templos que tentam direcionar o voto dos fiéis. No entanto, juristas e analistas apontam uma aparente assimetria nessa postura regulatória. O tribunal é criticado por não demonstrar o mesmo rigor em relação ao abuso de poder sindical, historicamente utilizado para influenciar as massas.
A discussão ganha contornos de seletividade ideológica ao se observar o histórico das principais vertentes religiosas do país. Parcela significativa do clero católico tradicionalmente adota discursos alinhados à esquerda durante as homilias, sem que isso tenha gerado punições ou ações ostensivas por parte da Corte Eleitoral.
O cenário mudou de foco com o crescimento da representatividade evangélica, segmento que possui maior identificação com pautas de direita. A reação do TSE em intensificar a fiscalização justamente neste momento levanta debates sobre o alcance da medida. Críticos apontam que a vigilância sobre os cultos pode configurar uma violação da liberdade religiosa e de expressão.
A possibilidade de cidadãos gravarem pregações religiosas para denunciá-las à Justiça Eleitoral é vista por críticos como um excesso institucional que ultrapassa os limites da autonomia das instituições de fé. Defensores da liberdade individual sustentam que a melhor resposta aos posicionamentos políticos no altar deve partir dos próprios frequentadores, por meio do livre arbítrio de se retirar do local.