O perdão judicial concedido a Monique Medeiros pela morte do menino Henry Borel provocou uma onda de indignação entre políticos ligados à direita brasileira. Poucas horas após a decisão da juíza Elizabeth Machado Louro, proferida na madrugada de quinta-feira, 4 de junho, parlamentares foram às redes sociais denunciar o que classificaram como um absurdo jurídico e uma instrumentalização ideológica da Justiça.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), uma das vozes mais influentes da direita nas redes sociais, gravou um vídeo em tom de indignação que viralizou rapidamente. O parlamentar afirmou que a juíza "usou a morte de uma criança para fazer palanque ideológico" e questionou os fundamentos da sentença. "Vamos citar misoginia para poder passar pano para uma mulher que foi cúmplice do assassinato do filho dela?", disse. Nikolas também comparou o caso com outras decisões da Justiça e declarou que "se você pega um batom e vai numa estátua, você toma 17 anos de cadeia". "Alguma coisa está muito errada nesse país", concluiu.
Outro parlamentar que se pronunciou com veemência foi o deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), ex-promotor de Justiça do estado de Alagoas que construiu sua carreira no Ministério Público antes de migrar para a política. Gaspar também gravou vídeo criticando a decisão e utilizou sua experiência como membro do MP para questionar a fundamentação da juíza. Para o deputado, o perdão judicial foi aplicado de forma inadequada e a argumentação que citou discriminação de gênero não encontra respaldo técnico diante da gravidade dos fatos. Gaspar destacou que Monique tinha ciência das agressões sofridas por Henry e que a omissão de uma mãe diante da tortura de um filho não pode ser atenuada por argumentos estranhos ao processo penal. O ex-promotor afirmou que decisões como essa enfraquecem a credibilidade do Poder Judiciário e enviam uma mensagem de impunidade à sociedade.
A reação dos dois deputados é emblemática porque representa dois perfis distintos dentro da direita. Nikolas Ferreira fala diretamente ao público jovem e digital, com linguagem acessível e apelo emocional, e transforma casos de grande repercussão em bandeiras de mobilização nas redes. Alfredo Gaspar, por sua vez, traz a autoridade técnica de quem atuou durante anos como promotor de Justiça e conhece por dentro o funcionamento do sistema penal. Juntos, os dois vídeos reforçam a narrativa de que a decisão no caso Henry Borel ultrapassou os limites do Direito e entrou no terreno da ideologia.
A indignação não se limitou ao Congresso. Nas redes sociais, o caso dominou os assuntos mais comentados do Brasil ao longo de toda a quinta-feira. Milhares de usuários criticaram a juíza Elizabeth Machado Louro e questionaram a aplicação do perdão judicial. A frase "fosse um pai, nem sequer teria sido processado" se tornou o principal alvo das críticas, com internautas argumentando que a comparação de gênero é descabida em um caso que envolve a morte violenta de uma criança de 4 anos.
O Ministério Público do Rio de Janeiro confirmou que vai recorrer da decisão. O pai de Henry, Leniel Borel, declarou que "mataram meu filho pela terceira vez" e também anunciou recurso por meio de seus advogados. A defesa de Jairinho, condenado a 43 anos de prisão no mesmo julgamento, afirmou que pedirá anulação do júri. O caso permanece aberto e deve gerar novos desdobramentos nas instâncias superiores.