O deputado federal Maurício Marcon (PL-RS) protagonizou o momento mais tenso da sessão da comissão especial da PEC do fim da escala 6x1 na noite de segunda-feira (25), ao apresentar pedido de vista que adiou a votação do relatório de Leo Prates (Republicanos-BA) para quarta-feira (27). Em um discurso de mais de 15 minutos, interrompido várias vezes por manifestantes e sindicalistas presentes no plenário, o parlamentar gaúcho classificou a proposta como "eleitoreira", "populista" e "totalmente ilógica", argumentando que a obrigatoriedade de dois dias de folga semanais tornaria ilegal o trabalho no sexto dia, algo que, segundo ele, "nenhum país do mundo faz".
Marcon questionou diretamente o relator Leo Prates, afirmando que o relatório apresentou "pouquíssimos estudos", trouxe dados incorretos sobre a posição do Brasil no ranking mundial de jornadas de trabalho e ignorou os efeitos práticos sobre o custo dos serviços públicos municipais. O deputado citou o exemplo da coleta de lixo nas prefeituras, apontando que o próprio relatório admite a necessidade de reajustar contratos com empresas terceirizadas, e perguntou: "Vocês acham que quem vai pagar é a fada do dente ou o contribuinte?". Ele também contestou a promessa de manutenção salarial, alegando que o texto não impede demissões seguidas de recontratações com salários menores.
O clima na comissão ficou hostil. O presidente Alencar Santana (PT-SP) precisou intervir diversas vezes para conter vaias e gritos de sindicalistas, alertando que cada interrupção resultaria em um minuto adicional ao tempo de fala de Marcon. Em determinado momento, a polícia legislativa foi chamada para conter um manifestante que se aproximou do deputado, mas Marcon pediu que o homem permanecesse no plenário. A deputada Erika Hilton (PSOL-SP), autora da PEC original, e a deputada Maria do Rosário (PT-RS) acompanharam o discurso com visível discordância, mas sem confronto direto.
O pedido de vista empurrou a votação para quarta-feira e encurtou o prazo entre a eventual aprovação na comissão e a votação em plenário, que a liderança governista quer concluir ainda esta semana. Marcon defendeu sua PEC alternativa, de número 40, que propõe liberdade para o trabalhador escolher quantos dias quer trabalhar, sem imposição estatal, e encerrou dizendo que seu "compromisso não é com a próxima eleição, mas com a próxima geração".