O senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, usou a tribuna da CAE para fazer acusações diretas ao ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC (PSDB). Assista abaixo:
Segundo o senador, a gestão de JHC aportou R$ 117 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió (Iprev) no Banco Master — instituição que já dava sinais claros de fragilidade financeira e que hoje acumula prejuízos superiores a R$ 50 bilhões no sistema financeiro nacional.
Maceió foi a única capital brasileira a realizar esse tipo de investimento no banco de Daniel Vorcaro. Proporcionalmente ao orçamento municipal, o aporte é um dos mais graves do país.
O ponto central da denúncia é a forma como a operação teria sido autorizada. Renan afirmou que o conselho de administração do Iprev sequer se reuniu para deliberar sobre o aporte. As assinaturas que constam no documento de autorização, segundo o senador, foram falsificadas.
"As assinaturas foram fraudadas por decisão do prefeito", declarou Calheiros, atribuindo responsabilidade direta a JHC.
Renan revelou que o secretário de previdência que conduziu a operação em Maceió já tinha histórico de envolvimento em fraudes semelhantes no Rio de Janeiro. A consultoria responsável pelo aporte — a mesma que atuou nos casos do Rio e do município de Cajamar, em São Paulo — teria ficado apenas dois dias na capital alagoana antes de concretizar a aplicação dos R$ 117 milhões.
O senador anunciou que ingressará com duas ações populares. A primeira contra as omissões do Banco Central e da Previc na fiscalização do Banco Master. A segunda contra todos os envolvidos no aporte do Iprev de Maceió.
Renan citou nominalmente o ex-prefeito JHC, o diretor do Iprev, o atual prefeito, João Caldas e Dalide Correa como alvos.
A Polícia Federal já pediu ao ministro André Mendonça, do STF, a abertura de investigação específica sobre o caso. O despacho, no entanto, ainda não foi emitido.
O valor aportado no Banco Master representa 10% de todos os recursos do Iprev. Aposentados, pensionistas e servidores ativos estão, nas palavras de Renan, "apavorados" com a possibilidade de prejuízo irreversível.
O senador cobrou publicamente o ministro André Mendonça para que a investigação avance. Defendeu também que a Previc e o Banco Central sejam responsabilizados por falhas na fiscalização que permitiram que recursos previdenciários fossem aplicados em uma instituição sob suspeita.