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Renan Calheiros mira JHC e transforma caso do Banco Master em arma política a um ano da eleição em Alagoas

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) escolheu a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado para lançar o que pode ser o principal ataque político ao ex-prefeito de Maceió, JHC (PSDB), a pouco mais de um ano da eleição ao governo de Alagoas.

Na tribuna da CAE, que ele próprio preside, Renan detalhou acusações de fraude envolvendo R$ 117 milhões do Iprev aplicados no Banco Master durante a gestão de JHC. Chamou a operação de "roubalheira" e acusou o ex-prefeito de ordenar a falsificação de assinaturas do conselho do instituto.

O tom não deixa dúvida: Renan quer colar no adversário a imagem de gestor que colocou em risco o dinheiro dos aposentados.

O contexto político é inevitável. JHC se consolida como principal adversário de Renan Calheiros Filho (MDB) na corrida ao governo de Alagoas.

Renan não é um senador qualquer fazendo denúncia: é o presidente da CAE, comissão que criou um grupo específico para investigar o Master, e é pai do candidato que disputará o Palácio República dos Palmares. A sobreposição entre o papel institucional e o interesse eleitoral é evidente.

O próprio JHC tem tentado enquadrar as acusações como manobra política, chegando a processar veículos de imprensa e jornalistas que repercutiram o caso.

Isso não significa que as acusações sejam infundadas. Os fatos são concretos. Maceió foi a única capital do país a aportar recursos previdenciários no Banco Master. O valor representa cerca de 10% do patrimônio do Iprev. A Polícia Federal já pediu investigação ao STF.

A consultoria que intermediou a operação é a mesma envolvida em casos semelhantes no Rio de Janeiro e em Cajamar. A fraude nas assinaturas do conselho, se confirmada, configura crime grave e responsabiliza diretamente quem comandava a prefeitura.

São elementos que sustentam apuração independente do jogo eleitoral.

O caso do Iprev é, ao mesmo tempo, um escândalo financeiro real e uma peça no tabuleiro político alagoano. Renan sabe que a denúncia tem substância suficiente para sobreviver ao rótulo de "ataque eleitoral" e está usando a CAE como trincheira para manter o assunto no noticiário.

JHC, por sua vez, até agora não veio a público explicar a operação de forma satisfatória. O silêncio do ex-prefeito alimenta tanto a narrativa do adversário quanto a desconfiança dos aposentados e pensionistas que dependem do Iprev para viver.

Quem perde com a falta de respostas, no fim, não é o político — são os servidores de Maceió.

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