A sessão da Comissão Especial que analisa a PEC do fim da escala 6x1 foi marcada por um confronto direto entre a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). A troca de acusações elevou o tom dos debates na reta final da tramitação da proposta, que prevê a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais com dois dias de folga e sem corte salarial.
Hilton abriu sua fala elogiando o trabalho do relator Léo Prates (Republicanos-BA), que rejeitou a emenda da oposição que propunha transição de 10 anos para a nova jornada, e classificou o avanço da PEC como uma "vitória da classe trabalhadora" e uma "derrota da extrema direita". A deputada acusou parlamentares da oposição de terem se posicionado contra a proposta desde o início, tratando-a como "pauta populista e eleitoreira", e de agora tentarem se apropriar do tema diante da pressão da opinião pública.
"O que estão tentando fazer aqui não é colocar uma opinião favorável ao fim da escala 6x1. É empantanar o debate, dificultar o andamento da proposta", afirmou. Hilton também criticou a proposta de permitir jornadas de até 52 horas semanais e disse que a oposição tentou "enfiar goela abaixo do trabalhador brasileiro a escala 6x1". Em tom contundente, classificou o PL como "inimigo da classe trabalhadora".
Sóstenes Cavalcante: "Vou provar a mentira dela"
Citado nominalmente por Hilton, Sóstenes Cavalcante pediu a palavra por questão de ordem. O clima esquentou imediatamente. O deputado chamou Hilton de "mentirosa" e tentou rebater a acusação de que o PL seria o autor da emenda que propunha a jornada de 52 horas. Segundo Cavalcante, a emenda foi apresentada por um parlamentar do Progressistas do Rio Grande do Sul, e não pelo PL.
"Eu quero inicialmente desmentir a mentirosa que acabou de falar", disse o deputado, gerando tumulto na comissão. O presidente do colegiado, Alencar Santana (PT-SP), interveio e advertiu que ofensas pessoais não seriam permitidas, lembrando que em ocasiões anteriores já havia cortado a palavra de parlamentares que atacaram deputados da bancada de Cavalcante. O presidente concedeu um minuto para a resposta.
Cavalcante insistiu na tese e encerrou dizendo que o PL é "a favor do trabalhador". "Não minta ao povo brasileiro. Nós do PL somos a favor do trabalhador. Basta de mentira", declarou, antes de ter o microfone encerrado pelo presidente da comissão, que passou a palavra à bancada do PDT.