O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, traçou um cenário econômico alarmante ao criticar a aprovação da PEC que acabou com a escala 6x1 na Câmara dos Deputados. Para o parlamentar, a redução obrigatória da jornada de 44 para 40 horas semanais sem contrapartida de produtividade terá efeito dominó sobre a economia: inflação, desemprego, queda da massa salarial e explosão da informalidade. "Na verdade, o que Lula nos dá é um presente de grego, um cavalo de Troia, que vai prejudicar e muito aquele que ele diz que defende, o trabalhador brasileiro", disparou. Assista:
O argumento central de Marinho é que o custo da medida será repassado integralmente à sociedade. Com a redução de horas, o custo de produção de bens e serviços sobe em toda a cadeia produtiva — da pequena padaria à grande indústria. "E o empresário, principalmente aquele mais bem estruturado, vai repassar essa diferença para o preço dos produtos. O primeiro problema é aumento de inflação", explicou.
O impacto mais severo, segundo o senador, recairá sobre os pequenos negócios. Empresas com até 50 funcionários — salões de cabeleireiro, oficinas mecânicas, trailers, bares, restaurantes — representam hoje metade do estoque de empregos formais do país. Forçadas a contratar mais gente para manter a operação com menos horas por trabalhador, muitas não conseguirão equilibrar as contas. "Haverá uma dificuldade de equilibrar essas contas e muitas vão migrar para a informalidade", previu. O efeito cascata, segundo ele, reduz a arrecadação previdenciária e sobrecarrega ainda mais o orçamento federal, já pressionado por milhões de brasileiros que dependem de transferências da União.
Marinho também trouxe dados de produtividade para reforçar sua tese. A produtividade brasileira por hora trabalhada gira em torno de US$ 17, contra quase US$ 30 em países vizinhos como Argentina, Chile, Colômbia e Uruguai, e entre US$ 50 e US$ 90 em nações da OCDE. "Estamos fazendo com que no Brasil nós vamos trabalhar muito menos para ganhar também menos, porque essa é a grande falácia", afirmou, lembrando que a PEC ainda cria 52 novos feriados, aprofundando o problema.
O senador questionou a motivação da proposta. Em 20 anos de governos do PT, segundo ele, a legenda nunca havia proposto essa mudança. "Fizeram agora porque estão desesperados na época da eleição, não preocupados com o trabalhador, preocupados com a urna", acusou, classificando a iniciativa como "meramente eleitoreira" e comparando-a a outros recuos recentes do governo — como a suspensão da chamada "taxa das blusinhas" e a regulamentação das apostas esportivas.
Como contraponto, Marinho defendeu a PEC 12/2026, apresentada pela oposição com apoio de 36 senadores. A proposta permite ao trabalhador escolher livremente sua jornada — de 20 a 50 horas semanais — com remuneração proporcional e preservação integral de direitos como férias, FGTS, décimo terceiro e licenças. "A jornada que você quer e não a que está sendo imposta pelo Estado", resumiu.
O embate agora se desloca para o Senado, onde as duas PECs — a da redução obrigatória e a da flexibilização voluntária — devem protagonizar um dos debates mais acalorados do ano legislativo.