O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), foi citado pelo banqueiro Daniel Vorcaro em proposta de delação premiada apresentada à Polícia Federal. Segundo reportagem da revista Veja, destaque no Jornal 96 desta sexta-feira (12), o dono do extinto Banco Master afirmou que transferiu US$ 30 milhões, cerca de R$ 155 milhões, ao senador em troca de apoio a uma demanda de interesse da instituição financeira.
De acordo com a publicação, o valor teria sido depositado em uma conta secreta no exterior, em operação conduzida por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. O banqueiro, preso há três meses, se ofereceu para detalhar toda a transação como parte de seu acordo de colaboração com os investigadores, na tentativa de obter benefícios judiciais.
A Polícia Federal, no entanto, rejeitou pela segunda vez a proposta de delação do banqueiro. Os investigadores entenderam que os relatos apresentados não trazem elementos de prova inéditos que justifiquem a concessão de benefícios. Apesar da recusa da PF, Vorcaro segue em negociação com a Procuradoria-Geral da República, que ainda avalia o material oferecido.
Alcolumbre reagiu por meio de nota divulgada pela Presidência do Senado. O parlamentar classificou as informações como "absolutamente falsas" e afirmou que "jamais recebeu valores, no Brasil ou no exterior". O senador prometeu adotar medidas judiciais nas esferas cível e criminal para que Vorcaro responda pelos danos causados à sua honra.
O caso amplia a crise política detonada pelo escândalo do Banco Master, que já acumula prejuízo estimado em mais de R$ 50 bilhões. Reportagens anteriores da Veja revelaram que Vorcaro guardou meticulosamente registros de conversas com autoridades dos Três Poderes, incluindo mensagens de WhatsApp, arquivos de computador e documentos pessoais, material que agora é sua principal moeda de barganha na tentativa de reduzir a pena.
Com informações da revista Veja