O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu nesta quarta-feira (17) ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França. A frase foi direta: "Não se meta nas eleições do Brasil". A reação veio após Trump afirmar que o Brasil havia se tornado "um pouco perigoso, politicamente" e classificar a situação interna como "uma bagunça", ao comentar a condenação de Eduardo Bolsonaro pelo STF, conforme revelou o Poder360.
Trump, ao falar sobre o caso, confundiu Eduardo com Flávio Bolsonaro, afirmando que "prenderam alguém que estava concorrendo à presidência". A declaração elevou a tensão diplomática entre os dois países, que já enfrentam impasse por conta das tarifas de 25% propostas pelos EUA sobre produtos brasileiros. Lula, que inicialmente não pretendia ir ao G7, mudou de planos justamente após o anúncio do tarifaço.
Ainda segundo o Poder360, Lula afirmou em entrevista coletiva que não conversou diretamente com Trump sobre as tarifas durante a cúpula. O brasileiro disse que as negociações comerciais seguem pelos canais técnicos, por meio dos ministros responsáveis. Nenhuma reunião bilateral foi agendada entre os dois líderes, e Trump chegou a passar por Lula durante a foto oficial do evento sem cumprimentá-lo na terça-feira (16).
O episódio reforça o grau de deterioração da relação entre Brasília e Washington. Enquanto Lula defende multilateralismo e critica protecionismo sem citar Trump diretamente nos discursos formais, o presidente americano demonstra alinhamento com a família Bolsonaro e usa a situação política brasileira como palanque doméstico. O confronto verbal no G7 pode escalar as tensões ainda mais em ano eleitoral no Brasil.