A operação que mirou o senador Jaques Wagner (PT-BA) produziu um efeito colateral revelador na política baiana: tanto o líder do PT no estado quanto seu principal adversário na oposição, o ex-prefeito de Salvador e presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, decidiram ficar em silêncio. Neto passou o dia sem publicar nada nas redes sociais e, quando abordado por um repórter ao sair de um evento, limitou-se a dizer que "o senador tem direito à defesa". A resposta discreta chamou a atenção dos comentaristas do Jornal das 6, que foram buscar a explicação nos números.
ACM Neto teria recebido R$ 3 milhões do Banco Master e R$ 2 milhões da Reab por meio de empresa ligada a ele, a título de consultoria. Com esse histórico, atacar Wagner publicamente seria bater no próprio rabo preso, na avaliação dos apresentadores do programa. "Você vê que a oposição da Bahia tá calada porque tem um rabo preso", disse um deles. O silêncio de Neto é particularmente significativo porque ele é pré-candidato ao governo da Bahia em 2026 e Wagner é tido como o principal cabo eleitoral do PT no estado para o Senado naquele mesmo ano.
Do lado petista, Wagner também evitou respostas diretas. Em entrevista à BandNews, o senador negou as acusações de forma genérica, mas deixou as perguntas mais importantes sem resposta, especialmente sobre os R$ 3,5 milhões em propina apontados pela Polícia Federal, os 13 relógios de luxo, os 450 mil em moeda estrangeira e os dois apartamentos em um prédio avaliado em R$ 9 milhões em Salvador. O silêncio dos dois lados da disputa política baiana deixou o campo aberto para o debate nacional, enquanto as investigações seguem sob sigilo no STF.