A crise política gerada pelo escândalo do Banco Master ganhou novos contornos nesta semana após a Polícia Federal deflagrar a 9ª fase da Operação Compliance Zero e ter o senador Jaques Wagner (PT-BA) como um dos alvos. Nos bastidores do Palácio do Planalto e dentro do próprio PT, cresce a pressão para que o senador deixe a liderança do governo no Senado Federal, diante do risco de que o caso contamine a pré-campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva.
A situação se agravou depois que Wagner concedeu uma entrevista revelando que o presidente havia ligado para ele em sinal de solidariedade. A divulgação do telefonema gerou constrangimento ao Planalto, que até então evitava se pronunciar publicamente sobre o caso. Auxiliares de Lula confirmaram que o presidente ficou contrariado com a revelação feita pelo próprio senador, que expôs uma proximidade que o governo preferia manter discreta.
Apesar da pressão crescente, Jaques Wagner não renunciou ao cargo até o momento. Integrantes do governo afirmam que já houve a construção de uma saída honrosa para o senador, mas que as declarações públicas de Wagner criaram um novo nível de constrangimento político. A expectativa dominante em Brasília é de que o próprio senador coloque o cargo à disposição nos próximos dias, sem que seja necessário um pedido formal do Planalto.
O PT tenta conter os danos eleitorais com uma estratégia em três frentes. A primeira é reforçar que a disputa presidencial de 2026 se dá entre Lula e Flávio Bolsonaro, e não entre Flávio e Wagner. A segunda é explorar as diferenças entre as relações do filho do ex-presidente e de Wagner com o banqueiro Daniel Vorcaro. A terceira é aguardar que as investigações da PF avancem antes de tomar qualquer decisão mais drástica sobre o futuro do senador na liderança.
O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que todos os envolvidos no escândalo Master terão que se explicar, mas deixou claro que a decisão sobre permanecer ou não na liderança do Senado é exclusiva de Jaques Wagner. O caso segue como o principal teste de blindagem para a campanha de Lula à reeleição e expõe a vulnerabilidade do governo diante de investigações que, cada vez mais, aproximam o escândalo do Banco Master do núcleo político do Palácio do Planalto.