Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, apontam que o senador Jaques Wagner era visto pelo banqueiro como um possível intermediário para encaminhar recados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os diálogos, obtidos em caráter exclusivo pelo Estadão e que integram o material apreendido pela PF na investigação sobre o Banco Master, mostram que Vorcaro mantinha acesso direto ao telefone do senador, marcou encontros pessoais com ele e chegou a disponibilizar um avião particular para uso de Wagner e seus aliados em setembro de 2024.
Os registros indicam que Vorcaro agendou um encontro com Wagner dias antes do início das discussões sobre uma emenda ao limite de ressarcimento do Fundo Garantidor de Crédito, medida que favorecia diretamente os interesses do Banco Master. A proximidade entre os dois, documentada nas conversas encontradas no celular do banqueiro, contrasta diretamente com a narrativa do senador, que afirma em nota não ter nenhuma relação com Daniel Vorcaro. "Não existiu intermediação e não existe relação", declarou Wagner por meio de sua defesa, acrescentando que não pode ser responsabilizado por conversas de terceiros das quais "sequer participou".
A investigação também apura suspeitas de que Wagner tenha recebido propina de Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro no Banco Master, por meio de dois mecanismos distintos: a compra de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões e pagamentos de R$ 3,5 milhões realizados a uma empresa vinculada a familiar do senador. Foi durante a busca e apreensão na 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quinta-feira, que a PF encontrou US$ 49 mil em espécie em um endereço ligado ao parlamentar, além de documentos relacionados às transações investigadas.
A revelação de que o celular de Vorcaro continha mensagens citando Wagner como canal de acesso a Lula eleva significativamente o nível de gravidade do escândalo para o governo federal. Até então, a linha de defesa do Planalto era de que a investigação envolvia um aliado político, mas que não havia nenhuma conexão direta com o presidente. As mensagens encontradas pela PF colocam em xeque essa narrativa ao sugerir que o próprio banqueiro enxergava no senador uma ponte para o chefe do Executivo.
O material apreendido pela PF segue em análise e pode resultar em novos desdobramentos nas próximas semanas. A pressão sobre Jaques Wagner para deixar a liderança do governo no Senado cresce a cada nova revelação, e o Planalto aguarda com crescente ansiedade os próximos passos da investigação. Para Lula, o desafio agora é demonstrar que seu governo não tentou interferir no processo e que a proximidade histórica com Wagner não se traduziu em nenhum tipo de favorecimento ao Banco Master ou a seus sócios.