A recente participação do ministro Gilmar Mendes no programa Roda Viva, da TV Cultura, gerou um forte desgaste interno no Supremo Tribunal Federal (STF). Durante a entrevista, as declarações do magistrado miraram diretamente seus próprios colegas de Corte, abrindo uma crise pública sobre os limites da conduta e da ética no tribunal.
Mendes criticou de forma aberta os ministros Cármen Lúcia, Edson Fachin e André Mendonça. O principal ponto de atrito envolveu Mendonça, a quem Mendes acusou de cometer um erro clássico por ter recebido um advogado em seu gabinete. A crítica sugere que o simples encontro com a defesa comprometeria a atuação do magistrado no caso.
Nos bastidores do STF, a acusação foi recebida com forte resistência. Interlocutores apontam que o atendimento a advogados é um dever institucional de qualquer ministro. No episódio citado, as informações indicam que André Mendonça encerrou a reunião e retirou o advogado do gabinete após receber uma proposta de delação premiada seletiva.
O embate escancara uma clara divisão ideológica e institucional dentro do Supremo. Atualmente, desenha-se um racha de cinco a cinco entre os magistrados em relação aos critérios éticos defendidos. De um lado, formou-se um grupo crítico à postura de Mendes, composto por Luiz Fux, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Nunes Marques e André Mendonça.
O cenário político interno da Corte permanece instável e o equilíbrio de forças ainda pode mudar. Ministros como Edson Fachin e o recém-chegado Flávio Dino — que possui um perfil essencialmente político — são vistos como peças que podem redefinir os rumos dessa disputa interna, equilibrando-se entre as alas lideradas por Mendes e os defensores de Mendonça.