A descoberta de uma plantação com cerca de 290 mil pés de maconha em Acopiara, no interior do Ceará, virou uma nova polêmica política no estado após o deputado federal André Fernandes (PL-CE) denunciar que parte da droga e possíveis provas foram deixadas no local depois de uma operação da Polícia Civil. O caso ocorre em meio ao ambiente já tensionado da pré-campanha estadual, que envolve o PL, Michelle Bolsonaro, aliados da família Bolsonaro e o ex-governador Ciro Gomes (PSDB).
A notícia é da revista Veja, mas o assunto já foi tratado aqui e em outros veículos regionais. A operação foi anunciada pela Polícia Civil como uma das maiores apreensões de maconha já realizadas no Ceará. Segundo as informações divulgadas, os policiais encontraram uma grande área de cultivo da droga, além de material já colhido. Após a ação, porém, André Fernandes decidiu ir ao local para verificar se a plantação havia sido destruída e se o material tinha sido recolhido.
No sábado, 27, o deputado fez uma live enquanto seguia por uma estrada de terra, à noite, em Acopiara. No vídeo, afirmou que não se sentia seguro e disse que acionaria uma delegacia caso algo acontecesse. No dia seguinte, publicou um novo vídeo com a denúncia de que a operação teria deixado para trás sacas de maconha, parte da plantação ainda intacta, cadernetas com anotações e até um celular.
Fernandes afirmou que o local estava sem vigilância, sem isolamento e poderia ser acessado por criminosos ou por qualquer pessoa. Ele também levantou a suspeita de que a operação teria sido interrompida por ordem de alguém influente, mas não apresentou provas para sustentar essa acusação.
A denúncia levou a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará a anunciar a apuração de uma possível falha nos procedimentos de custódia do material apreendido. O governo estadual afirmou que eventuais irregularidades serão investigadas e que os responsáveis poderão ser punidos dentro da lei.
O caso também ganhou força no debate eleitoral. À noite, o ex-governador Ciro Gomes, pré-candidato ao governo do Ceará, entrou na discussão e usou o episódio para criticar a segurança pública no estado. A oposição passou a tratar o caso como símbolo de falha administrativa do governo Elmano de Freitas (PT).
O governador, por sua vez, reagiu às críticas, questionou a postura de André Fernandes e afirmou que a polícia não deixaria o local sem destruir a plantação. A polêmica transformou uma operação contra o tráfico em mais um capítulo da disputa política cearense, com potencial de desgaste para o governo e combustível para a oposição na pré-campanha.