Uma pesquisa do Instituto Sivis revelou que 57,5% dos brasileiros acreditam que acusar publicamente o Supremo Tribunal Federal (STF) de prejudicar a democracia é algo proibido no país. O índice representa um aumento significativo em relação a 2023, quando 35% dos entrevistados tinham essa percepção.
O levantamento mostra ainda que 61,7% dos brasileiros acreditam ser proibido criticar publicamente figuras públicas. Segundo os pesquisadores, o resultado reflete um ambiente de crescente receio em relação às consequências de manifestações políticas e institucionais.
De acordo com o cientista político Fernando Schüler, a percepção está relacionada a episódios recentes envolvendo investigações, bloqueios de perfis, processos e medidas adotadas contra pessoas que fizeram críticas a autoridades. Para ele, o medo de questionar instituições ou agentes públicos é incompatível com os princípios de uma democracia.
A pesquisa também identificou diferenças conforme o perfil dos entrevistados. Entre os jovens de 18 a 29 anos, 50% defendem mais restrições à liberdade de expressão. Já entre os entrevistados com ensino superior completo, cresce o percentual dos que aceitam limitar determinados tipos de discurso considerados ofensivos.
Realizado em abril com 1.109 pessoas, o estudo aponta que o debate sobre liberdade de expressão e os limites das críticas às instituições segue dividindo opiniões e ganhando espaço no cenário político e jurídico brasileiro.
GAZETA DO POVO