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Lucro das companhias aéreas deve cair pela metade em 2026 com petróleo e guerra no Irã

O lucro das companhias aéreas cairá para US$ 23 bilhões (cerca de R$ 119 bilhões), segundo previsão da Iata (Associação Internacional do Transporte Aéreo) divulgada neste domingo (7) durante a 82ª Assembleia-Geral Anual da entidade, realizada no Rio de Janeiro neste fim de semana.

O número representa metade do lucro estimado em 2025 (US$ 45 bilhões). Anteriormente, a associação previa, em 2026, lucro de US$ 41 bilhões. A previsão considera companhias aéreas de todos os continentes.

Segundo Willie Walsh, diretor-geral da Iata, as empresas aéreas foram impactadas pelos efeitos da guerra no Irã e pela alta no preço dos combustíveis.

"Todos os resultados financeiros das companhias aéreas estão sendo afetados pela rápida alta de 70% nos preços do combustível de aviação. Parte desse custo adicional está sendo compensada por ajustes de preços e ganhos de eficiência, mas isso não será suficiente para manter a lucratividade nos níveis do ano anterior", disse Walsh durante discurso neste domingo.

De acordo com Walsh, companhias menores, que iniciaram o ano com balanços financeiros mais frágeis, estão enfrentando dificuldades. "Em nível regional, todas as regiões continuam no azul, mas com desempenho financeiro significativamente reduzido."

A exceção, segundo ele, são as companhias aéreas do Oriente Médio, que vivem um cenário ainda pior.

"As empresas do Golfo enfrentam incertezas operacionais após o fechamento quase total do espaço aéreo no início da guerra. Essas companhias estão fazendo um trabalho extraordinário para manter a conectividade, mas impactos financeiros significativos são inevitáveis", afirmou Walsh.

Ainda de acordo com as previsões da Iata, a margem líquida de lucro das companhias aéreas deve ser de 2,0% em 2026, quase metade dos 3,9% previstos anteriormente. Também representa menos da metade da estimativa de 4,2% para 2025.

Já o lucro líquido por passageiro transportado deve ser de US$ 4,50, metade dos US$ 9,10 alcançados em 2025.

Segundo a entidade, o lucro operacional das empresas em 2026 deve atingir US$ 48 bilhões, queda superior a 37% em relação ao ano anterior. A margem operacional líquida deve ser de 4,1%, contra 7,2% em 2025.

A previsão aponta para um retorno sobre o capital investido de 4,3%, abaixo do custo médio ponderado de capital estimado em 8,5%. "Essa diferença volta a evidenciar a fragilidade estrutural do setor aéreo, no qual choques de rentabilidade corroem rapidamente a eficiência do capital", diz a associação em nota.

Apesar do cenário difícil, o fator de ocupação das aeronaves deve continuar batendo recordes, diz a Iata. As companhias aéreas preencherão, em média, 84% dos assentos disponíveis ao longo do ano, acima dos 83,5% registrados em 2025, segundo a previsão.

O número de passageiros transportados, por sua vez, deve atingir 5,1 bilhões em 2026, crescimento de 2,4% em relação ao ano anterior.

AMÉRICA LATINA PODE TER DESACELERAÇÃO MAIS ACENTUADA
De acordo com as estimativas da Iata, o lucro das companhias aéreas da América Latina deve alcançar o patamar de US$ 1,2 bilhão em 2026, queda de quase 37% na comparação com o ano passado. Na mesma base comparativa, a margem líquida de lucro deve cair de 3,8% para 2,1%

A entidade diz que as condições de demanda na América Latina continuam mais sensíveis do que em outras regiões, refletindo níveis de renda mais baixos e uma menor participação das viagens de negócios na demanda total por transporte aéreo.

"As companhias aéreas latino-americanas normalmente operam com menor flexibilidade financeira em seus balanços e custos de financiamento mais elevados, o que restringe sua capacidade de absorver choques ou investir na expansão de frota e de rotas. A relação entre o Ebit (lucro antes de juros e impostos) e a margem líquida é cerca de quatro vezes superior à média global, evidenciando essa limitação, que reduz a capacidade das empresas de reagir de forma dinâmica a mudanças na demanda ou nos custos", afirma a Iata em nota.

Ainda segundo a associação, esses fatores sugerem que a região provavelmente enfrentará uma desaceleração mais acentuada do crescimento, mesmo que a demanda permaneça positiva.

Folha de São Paulo

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