No Brasil de hoje, parece que Jair Bolsonaro já não precisa nem estar presente para gerar uma nova controvérsia. Basta um vídeo, uma postagem, uma fala antiga, uma imagem mal interpretada — ou talvez um avatar digital — para que a máquina política e judicial entre em alerta máximo.
A sensação, para muitos apoiadores, é de que a perseguição ganhou escala tão ampla que já já Alexandre de Moraes pede a prisão preventiva até do Bolsonaro de inteligência artificial. Afinal, se o boneco virtual repetir alguma frase polêmica, talvez seja necessário apreender o servidor, bloquear a nuvem e intimar o algoritmo a prestar depoimento.
É claro que instituições têm o dever de investigar crimes reais, proteger a democracia e responsabilizar quem efetivamente tenha cometido ilegalidades. Mas há uma diferença essencial entre aplicar a lei com rigor e alimentar a impressão de que um sobrenome virou, por si só, indício de culpa.
Quando toda manifestação da família é tratada como ameaça iminente, toda crítica como ataque institucional e toda imagem como prova potencial, o debate público deixa de ser justiça e começa a parecer roteiro de ficção política. No próximo capítulo, talvez o país descubra que a tornozeleira eletrônica também funciona por Wi-Fi.