O texto é da coluna de Mário Sabino, do Metrópoles:
Em resposta aos desaforos de Javier Milei, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou o presidente da Argentina de palhaço.
“O palhaço do presidente da Argentina falou do Brasil quando o risco-país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação é muito mais alta”, disse Dario Durigan, em entrevista a uma rádio de Pernambuco.
Para fazer contraste com o país vizinho, ele acrescentou que “o Brasil está com mínima de desemprego, mínima de inflação, recorde em balança comercial e safra recorde”.
É função de ministro da Fazenda responder a desaforos de presidente de outro país? Evidentemente que não. Muito menos responder com xingamentos.
Dario Durigan, no entanto, não é um ministro de Fazenda como se deve ser. É um ministro da Fazenda como não se deve ser.
Vou repetir o que já disse aqui há um mês: Dario Durigan é um apparatchik lulista, empenhado em lançar uma cortina de fumaça sobre o buraco nas contas governamentais.
O jovem com receituário velho faz política partidária com a moeda brasileira. É o vale tudo inflacionário petista com o qual o Banco Central tem de se haver, mantendo os juros em patamares impagáveis em ambos os sentidos, já que o negócio é rir para não chorar.
Dario Durigan, porém, tem a ambição de ser o sucessor de Fernando Haddad também no papel de coringa eleitoral. Quer ser poste de Lula.
É por isso que ele se mete onde não foi chamado. É uma tentativa canhestra de se cacifar junto ao chefão petista.
Antes de chamar Javier Milei de palhaço, ele também saiu dizendo que o Brasil iria retaliar o tarifaço imposto por Donald Trump. Foi preciso que o governo acalmasse os importadores brasileiros, que não querem saber de mais briga com os Estados Unidos.
Como todo apparatchik, Dario Durigan é um sofista. Na sua resposta a Javier Milei, ao destacar aspectos positivos da economia brasileira, ele elencou como se fosse obra do governo aquilo de bom que se deve à iniciativa privada e ao Banco Central autônomo, como desemprego baixo, balança comercial vigorosa, safra boa e inflação razoavelmente sob controle.
No que lhe concerne, o governo do jovem apparatchik empenha-se apenas em atrapalhar o país, aumentando a dívida pública e pressionando a inflação. Tudo aquilo que Javier Milei tenta conter na Argentina, herdeiro que é de governos que faziam o que Lula faz aqui, com a ajuda de gente como o ministro da Fazenda.
Se o Brasil resiste e vai bem em algumas áreas, isso ocorre apesar do governo, não por causa dele.
Dario Durigan deveria fechar a boca grande. Poste mudo é melhor do que poste falante.