A uma semana do fim das convenções partidárias, o Partido Liberal ainda não conseguiu resolver um dos principais impasses da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência: a escolha do candidato a vice-presidente.
Sem avanços nas negociações para atrair aliados, cresce nos bastidores a avaliação de que o senador poderá disputar o Palácio do Planalto em uma chapa formada exclusivamente por integrantes do partido, a chamada chapa “puro-sangue”.
A legenda tem até a próxima quarta-feira (5/8) para definir a composição da chapa. A estratégia inicial era usar a vaga de vice como principal moeda de negociação para atrair partidos do Centrão para a coligação, mas as conversas não prosperaram.
O isolamento político de Flávio, aliado às dificuldades para ampliar o diálogo com dirigentes dessas siglas e conquistar parte do eleitorado moderado, reduziu as chances de uma aliança. Nos bastidores, dirigentes de partidos que chegaram a negociar apoio avaliam que a campanha não conseguiu criar um ambiente favorável para uma composição.
As negociações se concentram em União Brasil, PP, Republicanos e Podemos. No caso de União Brasil e PP, que integram uma federação, a tendência é não apoiar nenhum candidato à Presidência e deixar que os diretórios estaduais decidam quem apoiar.
O Podemos ainda não definiu qual caminho seguirá. A convenção nacional da sigla está marcada para o próximo domingo (2/8), mas, segundo integrantes do partido, a tendência também é pela neutralidade.
Já o Republicanos é o partido da favorita de Flávio para a vaga de vice: a ex-presidente da Caixa Daniella Marques. Ela participa da elaboração do programa econômico da campanha e coordenou a construção de propostas voltadas ao eleitorado feminino. A indicação de Daniella, no entanto, depende da aliança com o partido, que também sinaliza a intenção de permanecer fora da disputa presidencial. A convenção que definirá a posição da legenda está marcada para a próxima terça-feira (4/8).
Os partidos têm até 5 de agosto para definir os candidatos e fechar alianças. Depois das convenções, poderão registrar as candidaturas na Justiça Eleitoral. O prazo para o registro termina em 15 de agosto. A propaganda eleitoral começa no dia seguinte, 16 de agosto.
Se nenhuma sigla aceitar integrar a coligação de Flávio até o fim das convenções, caberá ao próprio PL indicar o vice. Segundo interlocutores do partido, nesse caso, a palavra final será do senador.
O desafio das alianças de Flávio
- A campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta desafio para atrair partidos do Centrão em uma aliança.
- Por trás da estratégia, está o desejo de ampliar a capilaridade da candidatura de Flávio.
- As legendas, porém, têm sinalizado que devem permanecer distantes da disputa presidencial neste ano.
- União Brasil e PP eram os partidos mais próximos de uma aliança, mas desdobramentos das investigações do Banco Master fizeram com que a coligação fosse descartada.
- Flávio ainda busca alianças com Podemos e Republicanos. Os dois partidos também sinalizam que podem ficar neutros na disputa presidencial.
- Isolado, o senador ainda não conseguiu concluir a formação de sua chapa e pode acabar disputando o Planalto em chapa inteiramente formada pelo PL.
Bolsa de apostas
Enquanto mantém as negociações abertas, o partido já discute internamente quem seria o nome mais competitivo para integrar uma eventual chapa exclusivamente formada por filiados da legenda.