A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Rio Grande do Norte ganhou repercussão nacional após dois episódios que dominaram a cobertura política: a inauguração de uma estrutura da transposição do São Francisco sem a chegada da água e o “esquecimento” público do nome de Cadu Xavier, pré-candidato do PT ao Governo do Estado.
A Folha de S.Paulo, na reportagem “Correria para inaugurar obra faz Lula entregar adutora sem água”, destacou que a pressa para realizar inaugurações antes das restrições eleitorais acabou expondo o governo a uma cena constrangedora: a entrega simbólica de uma obra hídrica ainda sem funcionamento pleno no momento da cerimônia.
O Poder360, em “Lula inaugura túnel da transposição sem água no RN”, também ressaltou o caráter inusitado da agenda. No evento, Lula admitiu o problema e atribuiu a ausência da água a uma falha técnica: “Houve um erro de cálculo”, disse o presidente, segundo a cobertura do portal. Em seguida, tentou contornar a situação afirmando que “a água chega até meia-noite”.
O episódio ganhou força porque a principal imagem da agenda — a chegada das águas ao Rio Grande do Norte — não se concretizou durante a solenidade. A obra, apresentada como marco para a segurança hídrica do semiárido, acabou sendo nacionalmente associada à ideia de improviso e à pressão do calendário eleitoral.
O segundo ponto de repercussão veio com a reação de Lula ao ouvir apoiadores gritarem o nome de Cadu Xavier. O Metrópoles, na reportagem “No RN, Lula evita nome de pré-candidato do PT e brinca: ‘Não conheço’”, registrou a fala do presidente: “Não conheço o Cadu. Não conheço essa pessoa que vocês estão gritando o nome. Não sei se é daqui, mas já que vocês querem gritar, gritem.”
A declaração causou ruído porque, horas antes, Lula havia defendido Cadu em entrevista ao Agora RN, dizendo que o PT tinha “uma chapa muito boa para o Rio Grande do Norte, encabeçada pelo Cadu Xavier” e que ele teria condições de dar continuidade ao trabalho da governadora Fátima Bezerra. A contradição entre o apoio declarado e o “não conheço” no palanque alimentou interpretações de gafe ou tentativa de evitar problema com a legislação eleitoral.