O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), líder da Minoria na Câmara, afirmou nesta quarta-feira (12) que, em breve, o país terá "jornalista defendendo as atitudes de Alexandre de Moraes de dentro da prisão". A declaração foi dada durante coletiva de imprensa na Câmara dos Deputados, na qual parlamentares da oposição anunciaram um novo pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
A fala de Gayer ocorre no contexto da operação de busca e apreensão autorizada por Moraes contra Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança do Maranhão apontado pela Polícia Federal como fonte do jornalista Luís Pablo, autor de reportagens sobre o uso de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino. Para o deputado, a medida representa um ataque direto ao jornalismo investigativo e à proteção ao sigilo da fonte, prevista no artigo 5º, inciso XIV, da Constituição Federal.
"O que Alexandre de Moraes fez ontem é acabar com o jornalismo investigativo. Eu pergunto aos senhores e senhoras jornalistas: vocês acham que alguma fonte vai ter coragem de se expor agora?", questionou Gayer, ao lado do líder da Oposição, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), e de outros parlamentares. Segundo ele, o temor de identificação e retaliação afastaria fontes dispostas a colaborar com denúncias de interesse público, esvaziando a atividade jornalística no país.
O episódio reforça o embate histórico entre a ala bolsonarista do Congresso e o ministro do STF, alvo de sucessivos pedidos de impeachment desde 2024, sempre rejeitados ou arquivados por falta de apoio no Senado. A oposição alega abuso de poder e cerceamento da liberdade de imprensa, enquanto o STF sustenta que suas decisões seguem o rito legal, com aval da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República no caso em questão.