O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), que foi vice de Flávio Dino durante os oito anos em que ele comandou o estado, virou alvo de uma investigação relatada pelo próprio Dino no Supremo Tribunal Federal (STF). O caso, tornado público pela CNN Brasil, apura um esquema criminoso envolvido em homicídio, corrupção e desvio de dinheiro público, que teria beneficiado diretamente o grupo político liderado por Brandão.
A relação entre os dois é antiga: Dino governou o Maranhão entre 2015 e 2022, com Brandão como vice em toda a gestão, rompendo décadas de hegemonia política da família Sarney no estado. Ao deixar o governo para disputar o Senado, Dino entregou o comando estadual a Brandão — seu companheiro de chapa por duas eleições. Hoje, no entanto, os dois estão politicamente rompidos, e é justamente o grupo do ex-vice que aparece no centro do inquérito relatado pelo próprio ex-chefe.
Segundo a apuração, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) teria usado sua influência para retardar uma investigação no Superior Tribunal de Justiça (STJ), articulando diretamente com o ministro Humberto Martins. Dados obtidos do celular do senador mostram proximidade entre os dois, com pedidos de favores sobre processos específicos. Um dos episódios citados é uma ligação de cerca de cinco minutos entre eles no dia 2 de junho de 2025 — mesma data em que o ministro do STJ ordenou a transferência do detido Gilbson Júnior para Brasília, condenado pelo assassinato do empresário João Bosco Pereira, crime ocorrido em 2022 durante uma reunião sobre divisão de propina de contratos públicos.
Entre os citados na investigação está Daniel Brandão, atual presidente do Tribunal de Contas do estado e sobrinho do governador, apontado como um dos presentes na reunião em que o crime teria sido motivado — mas que foi omitido dos relatórios iniciais da Polícia Civil do Maranhão, suspeita de ter falhado propositalmente na apuração. Câmeras de segurança que registravam quem estava no local "sumiram" entre a delegacia e o instituto de perícia.
O caso expõe a dimensão do rompimento político entre Dino e Brandão, consolidado há cerca de dois anos em disputa pela sucessão estadual, e que hoje coloca o ministro na incômoda posição de julgar um esquema que atinge diretamente o governo do político que ele próprio ajudou a eleger.