A investigação que apura o senador Weverton Rocha (PDT-MA) por suposta obstrução em um caso de homicídio no Maranhão ganhou um novo e delicado desdobramento: o próprio ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Martins, passou a ser mencionado como parte da suspeita.
Segundo apurou a Polícia Federal, dados extraídos do celular de Weverton Rocha, apreendido no ano passado durante a operação que investiga desvios bilionários do INSS, mostram comunicações diretas e reiteradas entre o senador e o ministro durante o período em que Humberto Martins era o relator do processo no STJ.
A suspeita é grave: Weverton teria usado essa proximidade para tentar interferir no andamento da investigação sobre o assassinato do empresário João Bosco Sobrinho, ocorrido em São Luís em 2022. O crime é apontado como fruto de uma disputa por propina vinda de contratos públicos e emendas parlamentares, dentro de um esquema que a PF já classificou como um verdadeiro ecossistema criminoso no estado.
O caso passou a tramitar sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), justamente por envolver suspeitas contra Weverton Rocha. Foi Dino quem, nesta sexta-feira (14), decidiu retirar o sigilo do inquérito, tornando pública toda a movimentação.
Vale destacar que Humberto Martins não é investigado formalmente neste momento. Ele informou que, por o processo tramitar sob segredo de justiça, não vai comentar o caso. Weverton Rocha, até o momento, também não se manifestou.
De acordo com a PF, o esquema seria ligado ao grupo político do governador Carlos Brandão (MDB), e um dos episódios já identificados envolve a movimentação de valores que ultrapassam R$ 14 milhões. Entre os citados no inquérito está também Daniel Brandão, sobrinho do governador e atual presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA), apontado como participante da reunião em que o crime teria sido motivado.